4º CORUJÃO, TORNEIO QUE QUERO ESQUECER
Helio de Freitas (*) Há muito tempo não passava tanta raiva em um torneio como passei na madrugada de domingo, 28 de junho, durante o 4º Corujão. Quem achar descabido jogar torneio de madrugada pode até pensar que o motivo do meu descontentamento seja o fator madrugada, o cansaço, o sono, mas não é nada disso. Sou uma criatura de hábitos noturnos e quem me conhece sabe que prefiro jogar às 3h da madrugada do que 8h da manhã. O motivo da raiva é o de sempre: falta de condições para se praticar um bom boliche em Dourados. Nós bolicheiros douradenses temos a mania de falar que somos melhores que o povo de Campo Grande, que sempre ganhamos deles, que somos organizados, que temos clube, que jogamos brasileiros e eles não fazem nada disso. Essas observações podem até ser verdadeiras, mas eles têm uma vantagem enorme em relação a nós: eles têm mais condições técnicas para se praticar o bom boliche. Tive essa certeza no dia 7 de junho, quando fui campeão lá vencendo na final nada menos que o mais experiente jogador de boliche de MS, meu mano Edimar Marques. Nós não temos essas condições e as coisas parecem cada vez piores por aqui. Na minha opinião, nós (eu me incluo no grupo porque sabia e não levantei voz contra) erramos feio em aceitar 4 jogadores por pista. O torneio demorou mais que o previsto, ficou ainda mais cansativo e estressante. A falta de estrutura da casa para a realização de torneios complicou ainda mais a situação. Tenho o maior respeito e agradecimento à casa por nos atender, por abrir as portas para o Clube quando o outro boliche encerrou a parceria. Mas não posso me fazer de cego, surdo e mudo. Fiquei, de fato, p... da vida com o Corujão deste ano. O pequeno e cada vez mais reduzido número de bolicheiros douradenses que giram bola será eterno saco de pancadas dos retões que apelam para a força e para o laço da cordinha enquanto não existir as mínimas condições para se praticar o boliche com técnica, que é o que dá resultado em pistas automáticas e nas outras com um pouco mais de qualidade (como em Campo Grande). E o Corujão não ofereceu nenhuma condição para o boliche técnico. Prova disso é que os 3 ‘fingers’ da 1ª divisão ficaram nas três últimas posições. Na 2ª divisão, não foi diferente. Após todo o estresse, só me resta parabenizar os campeões Hedio e Henrique (galera da pancada, hehehehe, mas meus grandes amigos) e agradecer ao Rodolfo pelo esforço. O moleque jogou muito, mas eu não o ajudei. Me senti um Ronaldo com chuteira dourada tentando jogar futebol em campo de terra. Após todo o estresse e o desabafo, só me resta tirar umas férias do boliche. (*) Helio de Freitas é jornalista, criador desse blog e joga boliche desde 2005.
Escrito por CBD às 22h38
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